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Sepultura

Sepultura

Website: http://www.sepultura.com.br/

Biografia
Às vésperas de completar 30 anos de existência, o Sepultura se reuniu com o produtor Ross Robinson, com quem a banda havia trabalhado há 18 anos na obra-prima Roots, para construírem juntos o mais novo disco do grupo de rock brasileiro mais bem sucedido internacionalmente. Gravado entre os meses de junho e julho deste ano, o álbum The mediator between head and hands must be the heart tem lançamento previsto para o dia 25 de outubro, através da Substancial Music no Brasil e da Nuclear Blast em todo o mundo. Em seu 13º disco de estúdio, o Sepultura mantém a característica postura crítica em suas letras. Musicalmente, The Mediator é um petardo, variando entre canções rápidas, agressivas e brutais com outras em que o peso do groove forma um verdadeiro paredão sonoro.

Em um mundo controlado ao mínimo detalhe por aqueles que detêm o poder - político e financeiro - desde a propaganda (aquilo que Noam Chomsky definiu como o modelo de construção do consentimento através do discurso, ou, simplesmente, o consentimento manufaturado) às espionagens de civis e Estados teoricamente soberanos, o Sepultura encontrou no clássico do cinema expressionista alemão, Metrópolis, a perfeita metáfora para ambientar liricamente seu novo trabalho.

Com letras de Andreas Kisser e Derrick Green e mantendo a linha de contestação político-social às mazelas de nossa sociedade, ouvimos Derrick urrar contra os traumas das guerras travadas em nome dos interesses de seletos grupos, passando por uma irônica revisão histórica do Vaticano ou pela crítica ao consumismo inconsequente a que somos induzidos em um meio social que valoriza o ter e despreza o ser, além, claro, da manipulação da opinião pública através de discursos hermeticamente redigidos ou de retóricas religiosas (de todas as religiões, frise-se) que levam às pessoas a aceitarem conflitos ou mesmo entrarem em embates que não lhes dizem respeito. Um alerta, enfim, para que as pessoas usem aquilo que diferencia os seres humanos dos demais animais: a capacidade de ponderarmos a razão e a ação com o nosso coração (emoção).

Musicalmente, The mediator between head and hands must be the heart consegue reunir elementos característicos e marcantes de toda a história da banda sem, contudo, soar como uma repetição. Na realidade, The mediator é um álbum singular, uma vez que não se parece com nada que a banda fizera anteriormente. A produção de Ross Robinson deixou o disco com um timbre de guitarra e baixo assombrosos. Pesado, caversonoso, apocalíptico. O clima sombrio e caótico de Metrópolis é reproduzido com maestria no álbum, que leva o ouvinte a uma viagem por um mundo soturno e agressivo. Derrick Green mostra toda a sua versatilidade, indo do gutural à la death metal ao barítono. Andreas Kisser mostra mais uma vez porque é um dos mestres dos riffs, além de bons solos de guitarra, algo que resgatou desde o Kairos. E Paulo Xisto tem seu melhor trabalho em toda sua carreira, com ótimas linhas de baixo.

The mediator marca a estreia do baterista Eloy Casagrande em estúdio com o Sepultura. E o jovem músico apresenta o seu cartão de visitas com uma performance arrebatadora logo na faixa de abertura, “Trauma of War”: uma das músicas mais agressivas, pesadas e brutais da história do quarteto. Na sequência, “The Vatican”, com uma épica introdução de teclado, composta pelo maestro Renato Zanuto, que soa como um órgão de uma cerimônia macabra, que se funde de forma harmoniosa aos riffs infernais e ao bumbo duplo. “Trauma of War” e “The Vatican” apresentam um Sepultura com elementos de death metal que não se ouviam desde o Schizophrenia, de 1987, com direito a passagens com blast beats (isso mesmo!).

Em “Manipulation of Tragedy” a banda conseguiu resumir seus 30 anos de carreira em quatro minutos. Riffs palhetados e sinistros, bateria agressiva e acelerada - remetendo ao thrash metal - intercalados com o peso do groove e abrindo espaço para um resgate da brasilidade do Sepultura, com elementos percussivos. “The Bliss of Ignorants”, com seu timbre assombroso, é outra faixa em que o quarteto mostra o que os diferencia no cenário da música pesada mundial: peso e agressividade com as características dos ritmos percussivos brasileiros.

A participação do lendário baterista Dave Lombardo (ex-Slayer e ex-Testament) pode ser ouvida em “Obsessed”, música que promete ver muitas rodas serem abertas nos próximos shows da banda. Destaque, também, para a introspectiva e melancólica “Grief”, uma das mais belas canções do Sepultura. Um timbre limpo de guitarra abre espaço para Derrick explorar seu barítono, em passagem emocionante. As guitarras pesadas encaixadas em trechos da música mantêm o clima pesaroso em tributo às vítimas da boate Kiss, de Santa Maria-RS.

Por fim, o cover de “Da Lama Ao Caos”, dos pernambucanos da Chico Science & Nação Zumbi, que foi apresentado no último domingo (22), no Rock in Rio. Com Andreas Kisser nos vocais, o Sepultura apresenta uma versão que faz jus às expectativas. O peso do thrash metal prestando uma homenagem ao Manguebeat. Ao fim, uma hidden track para que os fãs se deliciem (mas essa é preferível se manter a surpresa).

Sem querer imitar o passado e olhando para o futuro, The mediator between head and hands must be the heart apresenta um Sepultura modernizado e poderoso. Vivêssemos em outros tempos de indústria fonográfica, este álbum reuniria condições para ser tão bem sucedido comercialmente como foram Chaos AD e Roots.